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Publicação bimestral . Nº 125 - 126 - Ano XIV - Março / Abril 13 - R$ 10,00

Berlusconi rompe com partido de centro-direita e Itália vive crise política

por andrea em sábado, 31 de julho de 2010 às 17:16

 

ROMA – A Itália acordou nesta sexta-feira mergulhada em uma crise política, depois do dramático rompimento do primeiro-ministro Silvio Berlusconi com o seu mais importante aliado de centro-direita, o que pode levar à realização de eleições antecipadas.

- Tirei um peso de cima de mim. Sinto-me libertado, como quando me separei de Veronica (segunda esposa) – comentou o premier.

Em uma tensa sequência de acontecimentos que atingiu seu auge na noite de quinta-feira, Berlusconi acusou Gianfranco Fini, o poderoso presidente da Câmara dos Deputados, de ser um traidor e conspirador, e de tentar provocar uma “morte lenta” do Povo da Liberdade (PDL), o partido de ambos.

Os dois políticos já vinham demonstrando uma aberta animosidade nos últimos meses, culminando com um duro documento da direção partidária censurando Fini por suas ações e declarações, e acusando-o de não mais representar os ideais do partido que ajudou a criar.

Berlusconi disse que o rompimento não afetará a estabilidade do seu governo, embora acredite-se que Fini controle os votos de mais de 50 parlamentares.

- Não há risco – disse o primeiro-ministro em entrevista coletiva na noite de quinta-feira. – Temos maioria – garantiu.

Mas, dependendo do número de parlamentares que seguirem Fini na formação de uma nova bancada, Berlusconi pode perder maioria em uma das Casas do Parlamento, ou vê-la reduzida a uma margem perigosa.

A coalizão formada pelo PDL e o partido Liga Norte tinha, antes do racha, 344 deputados, incluindo 14 deputados de pequenos partidos, que decidem seus votos caso a caso. Para ter maioria, um governo precisa de 316 deputados.

Sem o apoio de Fini, Berlusconi pode se ver refém dos pequenos partidos e da Liga Norte, o que já causou a queda do seu primeiro governo, em 1994.

Mas a situação causada pela implosão do partido governista é inédita, e não há diretrizes constitucionais sobre o que deve acontecer agora. Vários analistas disseram na sexta-feira que Berlusconi estaria conformado com a convocação de eleições, por acreditar que o seu partido se sairá melhor sem Fini.

Berlusconi afirmou que caberá aos parlamentares decidirem se Fini deve ou não permanecer como presidente da Câmara.

Fini, por sua vez, disse que não pretende renunciar à presidência da Câmara, que lhe dá enorme poder para definir a pauta parlamentar.

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