Pubblicazione dell’Associazione per l’Interscambio Culturale Italia Brasile Anita e Giuseppe Garibaldi

Publicação bimestral . Nº 125 - 126 - Ano XIV - Março / Abril 13 - R$ 10,00

O Governo Itamar (1992-1994)

por andrea em quarta-feira, 10 de agosto de 2011 às 15:34 O Governo Itamar (1992-1994)

           O Governo Itamar Franco foi, acima de tudo, republicano. Ou seja, decididamente alinhado com a defesa dos interesses públicos e isso em todas as áreas da vida brasileira. Senão vejamos. Primeiramente,impôs-se como uma prática de gestão que assegurou a governabilidade do
país, após uma crise institucional extraordinária, que levaria ao impedimento do Presidente Collor. E o fez de uma forma muito pouco comum entre nós, pelo menos desde o Governo Jango (1961-1964): o Presidente Itamar
Franco demonstrou que era possível governar o Brasil no campo político de centro-esquerda. E não só: reuniu em torno de sua administração alguns dos melhores quadros do país, de diferentes partidos do chamado arco progressista (esquerda do PMDB, PSDB, PDT, PPS, personalidades independentes de conduta comprovadamente séria etc). Mais do
que isso, até: seu governo serviu de laboratório onde germinaram novos
administradores e estadistas. Os nomes todos nós conhecemos. Era um governo amplo, que somava forças – mas que também tinha lado. O lado das forças populares sem dúvida alguma. 

 Outro ponto que parece importante destacar, para além da defesa inabalável do Estado Democrático de Direito que sua administração promoveu, tem que ver com a implementação de uma política econômica que iria debelar a inflação galopante – e nunca é demais recordar que a inflação se configurava entre nós como verdadeiro imposto suplementar que o conjunto dos assalariados transferia para o grande capital. E o Governo Itamar teve o grande mérito de sustar isso, por intermédio do Plano Real. O êxito desse plano foi de tal ordem que contribuiu de forma decisiva para eleger o sucessor de Itamar Franco, na figura do seu ex-ministro Fernando Henrique Cardoso ( ministro das Relações Exteriores e, depois, Fazenda). Apesar das trabalhosas articulações feitas pelo Presidente Itamar Franco no sentido de se preservar, como espaço
de governo, o campo das alianças partidárias alicerçadas em uma política de mudanças, o governo FHC optou por se aliar às forças conservadoras, banidas do governo anterior.
  Ainda no terreno da orientação econômica, convém salientar que o Governo Itamar soube enfrentar de forma radicalmente nova a questão do estatuto da propriedade industrial, fugindo da dicotomia privatização vs estatização. Na verdade, seu governo entendeu que estava mais do que na hora de introduzir uma cunha, digamos, nessa espinhosa questão. E essa cunha se chamava propriedade pública. Assim, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), empresa de capital misto, passou, em sua composição, a ser uma empresa de fato pública: do capital que assumiu o controle da CSN, 84% são dinheiro público. 

  Poderíamos aludir ainda às políticas e sociais que marcaram seu governo, as quais inspiraram projetos como o Bolsa Família, por exemplo. Como
também poderíamos lembrar o papel que teve em seu governo a questão da cultura e da identidade nacionais, como que materializadas pela nomeação de um intelectual do porte de Ferreira Gullar para a direção da Fundação Nacional de Arte (Funarte). O próprio Ferreira Gullar revelou, certa feita, ao Autor deste texto, que o Presidente Itamar Franco o convidara, por intermédio do saudoso José Aparecido de Oliveira, para ser Ministro da Cultura. Poderíamos abordar, ainda, a política externa do Governo Itamar, de valorização do Mercosul, da CPLP e o firme apoio dado à causa do povo irmão do Timor Leste. Ou o seu alinhamento decisivo à formulação uma política ambiental sustentável entre nós. 
 De toda forma, somente essas duas conquistas – a estabilidade democrática e estabilidade econômica, sobretudo da maneira como foram feitas – são mais do que suficientes para inscrever a administração Itamar Franco entre aquelas que honram a trajetória mudancista, democrática e progressista em nosso país. 
  Em sua curta – porém marcante – passagem pela presidência da República, Itamar Franco deixou para todos nós a herança de um governo ético, transparente, comprometido com os interesses da Nação e do seu povo, sinalizando para a possibilidade concreta de se governar apoiado por uma aliança de novo tipo. Um Governo que faz falta. 
 Daí a sua atualidade. 

Por Ivan Alves Filho, Jornalista e Historiador.

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